Desde o início do projeto Arara Azul, os trabalhos de campo têm sido intensos e contínuos, principalmente no período reprodutivo das araras- azuis. Mesmo com equipe pequena, aproveitamos a oportunidade de estar no Pantanal, que é um verdadeiro laboratório para pesquisa, para desenvolver ou apoiar outros trabalhos, projetos, dissertação de mestrado, teses de doutorado etc.

Alguns trabalhos já foram concluídos e outros estão em andamento.

Projeto Aves Urbanas – Araras na Cidade

Coordenação: Neiva Guedes
Equipe: Larissa Tinoco Barbosa, Edson Diniz Pereira, Sabrina Appel, Aline Calderan e Neiva Guedes

Acompanhamos a chegada das araras-canindé e araras-vermelhas em Campo Grande, a Capital de Mato Grosso do Sul, desde 1999. Na época, houve um período acentuado de estiagem, que somados aos desmatamentos e queimadas, na zona rural e municípios do entorno, provocaram grande escassez de alimentos. Elas vieram de Terenos em grupos de 48 e 27 indivíduos. Uma parte do grupo se estabeleceu em Campo Grande e outra parte, continuou migrando para Ribas do Rio Pardo, Águas Claras, Três Lagoas, chegando até a divisa de Mato Grosso do Sul, com São Paulo e Paraná. Aves generalistas são frequentes em ambientes urbanos e a arara-canindé (Ara ararauna) é uma espécie comum na cidade de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul (MS).

Embora seja comum e com ampla distribuição, é pouco estudada em vida livre e estudos detalhados sobre sucesso reprodutivo são importantes para monitorar a população a longo prazo. Desta forma, o objetivo principal deste projeto é monitorar o sucesso reprodutivo da arara-canindé área urbana de Campo Grande, Mato Grosso do Sul e analisar os resultados, ao longo dos anos, com o desenvolvimento da cidade. Os ninhos cadastrados são acompanhados semanalmente por registro fotográfico desde a postura dos ovos até o voo dos juvenis. Os ninhos são correlacionados com a localização e distância de áreas verdes. É avaliado o nível de perturbação veicular (NPV) nos ninhos.

O período reprodutivo da arara-canindé em Campo Grande ocorre de agosto a dezembro, podendo se prorrogar até janeiro ou fevereiro do ano seguinte. Em média 92,3% dos ninhos com pares reprodutivos tem sucesso com a postura dos ovos, dos quais 83,3% tem sucesso com o nascimento dos ninhêgos e 81,6% tem sucesso no voo dos juvenis. Os ninhos são construídos em palmeiras nativas e exóticas e estão localizados dentro dos quintais das residências ou imóveis comerciais, calçadas e passeios públicos em avenidas e parques. A maioria dos ninhos cadastrados (54%) ficam dentro ou próximo de uma área verde.

As araras-canindé estão se reproduzindo com sucesso na área urbana de Campo Grande. Estudos complementares poderão determinar os fatores que influenciam a reprodução dessa espécie na cidade. As araras hibridas (resultado do cruzamento de arara Canindé (Ara ararauna) com arara vermelha (Ara chloropterus)) também estão sendo monitoradas. Pretende-se utilizar estas espécies, que são tão emblemáticas para envolver a comunidade nas questões ambientais, principalmente para a importância da conservação da biodiversidade.

Projetos em andamento

Projetos encerrados