Estudo sobre o Manduvi

Caracterização Populacional de Manduvi (Sterculia apetala (Jacq.) Karst – Sterculiaceae) e suas implicações no oferecimento de ninhos para a arara-azul no Pantanal Sul, Mato Grosso do Sul, Brasil

Antônio dos Santos Júnior Biólogo – doutor UNB

Manduvi ou Amendoim-de-bugre é o nome regional da espécie Sterculia apetala, representante da família Sterculiaceae. É uma árvore de grande porte, cuja densidade populacional vem diminuindo por causa do manejo inadequado dos habitats, que também pode estar interferindo na dinâmica das populações desta espécie. Consequentemente, há redução na disponibilidade de recursos para a arara-azul e outras aves que utilizam as cavidades no tronco destas árvores como ninhos, ou consomem as sementes produzidas em grande quantidade, todos os anos.

Aliás, as sementes torradas são consideradas uma iguaria pelos nativos da região, que as consomem em quantidade, sendo também reputadas como medicinais.

Pesquisas demonstram que esta espécie arbórea tem a regeneração de sua população comprometida, devido ao manejo na área pantaneira para que a pecuária possa se desenvolver. Há uma perda média de 5% das árvores adultas que abrigam ninhos, em razão de queimadas, derrubadas e tempestades.

Segundo a bióloga Neiva Guedes, coordenadora do projeto Arara Azul, o manduvi é uma espécie-chave para a população de arara-azul no Pantanal, uma vez que 94% dos ninhos são abrigados nas cavidades existentes nesta espécie arbórea. Além disso, um amplo número de espécies que utilizam as cavidades provoca a competição por abrigo e sítio de nidificação. Entre as aves que brigam por espaço, estão o gavião-relógio, o urubu-comum, o pato-do-mato e a arara-vermelha, demonstrando a pequena disponibilidade deste recurso na área.

O manduvi também pode ser considerado uma espécie de guarda-chuva para a conservação da diversidade biológica no Pantanal Sul, pois, preservadas as condições ecológicas para o recrutamento e sobrevivência de indivíduos jovens, um grande número de espécies de plantas e animais que ocupam os mesmos habitats serão favorecidos.

Neste sentido, estudos baseados nas técnicas dendrocronológicas são importantes para o conhecimento da estrutura etária das populações de manduvi no Pantanal Sul, e embasam estudos futuros sobre manejo e conservação de populações de espécies animais que utilizam esta espécie arbórea, tanto na forma de alimento quanto para nidificação, como no caso das araras-azuis.

O conhecimento da idade e da taxa de crescimento das árvores é fundamental para estudos sobre populações, produtividade e desenvolvimento de ecossistemas. A estimativa da idade permite a inferência do padrão populacional e é essencial para melhor compreensão da dinâmica do ecossistema florestal. A determinação da idade com base na contagem de anéis de crescimento gera um grande potencial para o estudo da dinâmica de ecossistemas florestais, impactos ambientais, manejo de florestas sob o ponto de vista exploratório, como recursos renováveis, bem como para estabelecimento de estratégias de ação e proteção da flora e fauna ameaçadas de extinção. Apesar da importância, estudos sobre formação de anéis e idade de árvores tropicais são raros.

Os objetivos da pesquisa sobre populações de manduvi, iniciada no início de 2004, são: (1) caracterizar as populações de manduvi (S. apetala) para gerar um modelo que permita estimar a idade da árvore a partir de uma medida morfométrica, como o diâmetro à altura do peito, por meio de estudos dendrocronológicos; (2) avaliar a estrutura etária de três populações de manduvi no Pantanal Sul, por meio de estudos dendrocronológicos; e (3) avaliar a oferta potencial de cavidades (ninhos) para nidificação das araras-azuis e fornecer subsídios para planos de manejo e conservação de araras-azuis.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail tonhobio@hotmail.com