Morcegos associados aos ninhos de Arara-azul no Pantanal

Coordenação: Eliane Vicente
Equipe: Eliane Vicente, Neiva Guedes, Fernanda Fontoura, Edson Diniz Lino Pereira,

São diversos os estudos de quirópteros já desenvolvidos no Estado de Mato Grosso do Sul (MS). Muitos trabalhos têm demonstrado que as alterações ambientais comprometem a manutenção da biodiversidade e promovem o preocupante percentual de espécies sob risco de extinção. Neste elenco estão inclusas representativas espécies de morcegos dos biomas brasileiros. É possível que táxons sejam suprimidos antes que possam ser devidamente registrados e/ou conhecidos quanto à sua contribuição ecológica. Estudos apoiados pelo Projeto Arara Azul, no cumprimento de seu relevante papel como bandeira de conservação, levaram ao registro inédito de locais de repouso e alimentação do morcego hematófago Diaemus youngi. Estes dados resultaram de esforços conjuntos e inovação metodológica, para estudos em Chiroptera, de uma parceria estabelecida desde 2003 entre as equipes de estudo (Araras azuis e Morcegos). Os resultados, até então obtidos, mostram dez espécies de três famílias distintas de Chiroptera registradas nas cavidades naturais (ximbuva e manduvi) utilizadas como ninhos por Araras Azuis. O registro de Phyllostomidae incluiu as espécies Phyllostomus hastatus (carnívoro), P. discolor (onívoro), Chrotopterus auritus (carnívoro), Artibeus sp (frugívoro) e Diaemus youngi (hematófago). A família Noctilionidae foi observada pela presença de suas espécies co-genéricas: Noctilio leporinus (insetívoro/piscívoro) e N. albiventris (insetívoro) e dentre os Molossidae (insetívoros) Molossus molossus, M. rufus e Promops centralis foram confirmados como representantes de fauna associada destas cavidades-ninho. Dos ninhos ocupados por quirópteros 14 (Ca. de 25%) foram utilizados pelo morcego hematófago D. youngi em condição simultânea com filhotes de Araras Azuis. Em dois dos ninhos observados com colônias de D. Youngi, havia indivíduos de espécies carnívoras (P. hastatus ou C. auritus) e também espécies insetívoras (P. centralis e/ou M.). Este estudo favorece a obtenção de dados biológicos gerais das atividades diurnas dos morcegos e fornecem informações consistentes das relações interespecíficas. Algumas espécies como Artibeus sp merece observância ao fato de utilizar destas cavidades apenas como locais de pouso para refeitório e digestão. Alguns dos dados biológicos referentes aos morcegos promovem a releitura do fato de serem exclusivamente ativos durante a noite. Pode ser considerado, portanto que morcegos sejam beneficiados pela oferta fácil e segura de alimento no interior do próprio local de repouso durante o dia. Ao que se observa, os ninhos naturais de Araras Azuis são importantes recursos de abrigo, locais de reprodução de diversas espécies de morcegos e ainda representam fontes alimentares alternativas e abundantes. A continuidade deste trabalho aponta para um potencial inestimável de dados biológicos e ecológicos inéditos, relevantes para políticas de conservação.